This study analyzes medical practices related to hydatidosis in the province of Santiago del Estero, Argentina. This parasitic zoonotic disease is recognized as a significant public health problem in South America. Nevertheless, it is included among the neglected diseases as classified by the World Health Organization - those that primarily affect the poorest populations living in rural, remote, or marginalized areas with limited access to health services. The objective is to examine how hydatidosis is configured as a health issue through an analysis of medical practices involved in its care, management, and research, from Global South perspectives. A qualitative design was employed, including interviews with healthcare professionals working in the field, as well as the construction of a documentary corpus comprising technical reports from 2015 to 2023 and public policies at different levels. The study identifies three main characteristics of practices related to hydatidosis in Santiago del Estero: (1) a medical management style marked by colonial and authoritarian traits, in tension with local technical autonomy and weakened by a lack of political support; (2) fragmented healthcare processes, with limited intersectoral coordination and a predominance of biomedical and technocratic models; and (3) health research aligned with global priorities, often disconnected from local needs. These dynamics reflect a structural dependence on standardized approaches, to the detriment of contextualized and comprehensive public health strategies.
Esta investigación analiza prácticas médicas vinculadas con la hidatidosis en la provincia de Santiago del Estero, Argentina. Esta zoonosis parasitaria e infecciosa es reconocida como un importante problema de salud pública en América del Sur. Sin embargo, forma parte del conjunto de enfermedades clasificadas como desatendidas por la Organización Mundial de la Salud, que afectan principalmente a poblaciones pobres que habitan zonas rurales, remotas o marginales, con acceso limitado a los servicios de salud. El objetivo del estudio es analizar la configuración de la hidatidosis como problema sanitario, a partir del abordaje de las prácticas médicas implicadas en su atención, gestión e investigación, desde perspectivas del Sur Global. Para ello, se adoptó un diseño cualitativo que incluyó entrevistas a profesionales de la salud con experiencia en el tema y la construcción de un corpus documental compuesto por informes técnicos (2015-2023) y políticas públicas en distintos niveles. El estudio identifica tres características principales de las prácticas en torno a la hidatidosis en Santiago del Estero: (1) una gestión médica de corte colonial y autoritario, en tensión con la autonomía técnica local debilitada por la falta de apoyo político; (2) trabajo y atención fragmentados, con escasa articulación intersectorial y predominio de modelos biomédicos y tecnocráticos; y (3) una investigación en salud alineada con prioridades globales, poco vinculada a necesidades locales. Estas dinámicas expresan una dependencia estructural de enfoques estandarizados, en detrimento de estrategias contextualizadas e integrales de salud pública.
Esta pesquisa analisa as práticas médicas vinculadas à hidatidose na província de Santiago del Estero, Argentina. Essa zoonose parasitária e infecciosa é reconhecida como um importante problema de saúde pública na América do Sul. No entanto, faz parte do grupo de doenças classificadas como negligenciadas pela Organização Mundial da Saúde, que afetam principalmente populações pobres que vivem em áreas rurais, remotas ou marginais com acesso limitado a serviços de saúde. O objetivo do estudo é analisar a configuração da hidatidose como um problema de saúde, a partir das práticas médicas envolvidas em seu cuidado, manejo e pesquisa, a partir das perspectivas do Sul Global. Para tanto, adotou-se um delineamento qualitativo que incluiu entrevistas com profissionais de saúde com experiência no tema e a construção de um corpus documental composto por relatórios técnicos (2015-2023) e políticas públicas em diferentes níveis. O estudo identifica três características principais das práticas de hidatidose em Santiago del Estero: (1) gestão médica colonial e autoritária, em tensão com a autonomia técnica local fragilizada pela falta de apoio político; (2) trabalho e cuidado fragmentados, com pouca coordenação intersetorial e predomínio de modelos biomédicos e tecnocráticos; e (3) pesquisa em saúde alinhada às prioridades globais e pouco conectada às necessidades locais. Essas dinâmicas expressam uma dependência estrutural de abordagens padronizadas, em detrimento de estratégias de saúde pública contextualizadas e abrangentes.